quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Culpa de quê? De onde vem tanta culpa?

Definitivamente, eu devo ter algum problema. Ou então eu sou uma mãe anormal. Porque essa culpa toda que falam por aí, eu nunca senti. Uma culpa que nasceu junto com o filho, que é sentida a cada instante, que martiriza, eu realmente não sei o que é isso. Eu não sou perfeita, é claro. E claro que já senti culpa em diversos momentos, esse sentimento faz parte da vida. A grande questão é o que fazer essa culpa, guardar ou transformar. Quando me sinto culpada por algo olho para a frente, para o que eu posso mudar, para o que eu não devo repetir e prossigo, elaborando o sentimento de culpa e transformando em ação para melhorar. Em algumas situações tive culpa sim, em outras que corriqueiramente muita gente se sente culpada, tentei enxergar além e ver quem era responsável pelos fatos.

A primeira vez que me senti culpada foi quando estava com os mamilos fissurados e não conseguia logo de cara colocar o Pietro para mamar. Eu levava um tempo para conseguir colocá-lo no peito, pois já sabia da dor que iria sentir. Ele ficava chorando, querendo mamar, e eu buscando meu tempo de conseguir colocá-lo no peito. Me sentia culpada nesse momento. Mas meu marido sempre me apoiou nessas horas, me ajudava a relaxar, colocava música. Depois, no grupo das Amigas do Peito, aprendi a amamentar em outras posições que me causavam menos dor. Todas essas dificuldades passaram, e o sentimento passou.

Uma outra situação em que me senti bastante culpada foi quando ele tinha 8 meses. Estava aborrecida com um desentendimento familiar e durante o almoço falei ríspida com ele, para que ele não colocasse a mão na comida. Depois disso, nas refeições, ele ficava com medo de colocar a mão na comida, e isso cortou meu coração. Me senti muito mal, tão mal que naquele momento precisei desabafar com alguém, e foi um padre mesmo que me ouviu (não sou católica, mas naquele momento foi quem eu podia buscar para desabafar). Foi a melhor coisa que fiz, depois dessa conversa fiquei melhor, meu medo era de ter traumatizado meu filho, mas o padre me confortou, disse que aquilo seria superado, como de fato foi. Hoje não me sinto mais culpada, mas aprendi que não devo deixar irritações com outras coisas interferir na relação com meu filho.

Trabalho fora, mas não me senti culpada quando a licença maternidade acabou. Quando voltei a dar plantões noturnos, sabia que o Pietro estava ficando com a melhor pessoa, o pai. Ele tinha 8 meses nessa época, e para mim, naquele momento, voltar a trabalhar foi muito bom. Eu vi diversos aspectos positivos: novamente eu tinha um momento meu, era a hora de eu assumir outro papel diferente daquele que eu desempenhava 24h por dia, o trabalho me permitia colocar um pouco de lado o papel de mãe e exercitar o lado mulher, profissional. Voltar a trabalhar significava ter convívio com meus pares, conversar sobre outras coisas, arejar a cabeça. Voltar a trabalhar foi saudável. Quando ele completou 1 ano eu voltei a trabalhar no meu segundo emprego, ele começou a ficar meio período na creche e eu mantive os cinco plantões mensais. E continuei sem sentir culpa por ter de trabalhar, não ficava mais o tempo todo com ele, mas continuei passando um bom período junto, suficiente para cuidar, acompanhar seu crescimento, seu desenvolvimento. Cortar o cordão umbilical é preciso. Os filhos não são nossos, são do mundo, então precisamos aprender o desapego. O trabalho me mostrou a perspectiva do desapego.

Acho importante ver o lado positivo das coisas. A creche, por exemplo. Para mim o ideal seria que ele tivesse entrado somente com dois anos, mas no sistema que vivemos ninguém vê o seu lado pessoal, porque você vale a sua força de trabalho. Se eu tive que voltar a trabalhar a culpa não foi minha, afinal eu preciso de dinheiro para sobreviver, mas vivo em uma sociedade que coloca as relações em segundo plano, que valoriza o capital, a produção, e eu preciso produzir para poder sobreviver. As pressões dessa sociedade não me permitiram ficar mais tempo com meu filho, mas por ser funcionária pública ainda tive o privilégio que outras mulheres não têm, de poder ter um ano de licença amamentação no meu emprego de dia. Ao invés de sentir culpa de ter de trabalhar a gente devia era brigar por um afastamento do trabalho decente para poder cuidar de nossos filhos até eles poderem ficar numa creche ou escolinha numa idade em que já falam, já possuem o sistema imunológico amadurecido. Isso é o correto e é o que acontece em países da Europa, como a Alemanha. Mas voltando a questão da creche, se ele tivesse entrado mais tarde teria adoecido menos, porque com dois anos a imunidade é outra. Mas não deu e não carrego essa culpa. No final das contas, ir para a creche deu a ele muitos outros ganhos: pôde conviver com outras crianças, socializar, se desenvolveu muito em todos os aspectos, o que não teria acontecido se ele ficasse só comigo em casa.

Talvez o que me faça não sentir culpa é poder ter muito convívio com ele, poder distribuir meus horários de forma que posso cuidar dele, fazer a comidinha, brincar, estar junto, educar. Eu não tenho a sensação de que meu filho está crescendo e eu estou perdendo essa fase, porque posso estar junto, nos afastamos apenas meio período por dia. Os dias de plantão são mais corridos, mas encaro como um mal necessário. Nesses dias não perco tantas coisas de nosso convívio, pois a maior parte da noite ele fica dormindo. Não terceirizo o meu papel, e isso me faz me sentir cumprindo corretamente a função de mãe.

Realmente, tudo tem dois lados. Mas mostrar soluções paliativas não é o caminho para livrar alguém da culpa. A libertação do sentimento de culpa está dentro de cada um, na reflexão e na busca do aprendizado em cima da situação vivida, da não repetição dos erros, o que é totalmente diferente da proposta da campanha "Culpa Não", da Revista Pais e Filhos. Infelizmente as pessoas não pensam assim e sentem uma culpa que eu não consigo entender. Ainda bem que não faço parte desse time, e esse tipo de publicidade não me atinge.

terça-feira, 10 de julho de 2012

"Oficina do Bebê"

Divulgando para grávidas:

"Em agosto (06/08) vai começar a "Oficina do Bebê", curso teórico-pratico para casais grávidos com a finalidade de receber com amor, paz e acolhimento o novo Ser que vai fazer parte da humanidade, depois de viver seus primeiros nove meses dentro do corpo de uma mulher, a quem chamará de "mãe". O curso (7 encontros em grupo e 1 visita domiciliar pós-parto) foi idealizado pela educadora perinatal e terapeuta em Biossíntese Francesca Felici. Com a participação de Laura Uplinger, educadora e psicologa perinatal e conferencista internacional. 
Metodologia: exposições dialogadas, vivências, arte-terapia, meditações, palestras, práticas, escuta dos futuros pais. 
Possibilidade de realizar módulos separados. Local do curso:Escola de Biossíntese do Rio de Janeiro em Copacabana.
Maiores detalhes no flyer. Para informações e reservas de vagas, que são limitadas, ligar para  22390304 e   81164141  (Francesca)."

quinta-feira, 1 de março de 2012

Amamentar... Até quando?

Alma Parens - Adolphe William Bouguereau
Depois que o bebê completa 1 ano começa uma grande pressão social pelo desmame. Muitas pessoas que veem o bebê mamando acham aquilo estranho. Um dos conceitos que muitas pessoas trazem é que bebê de mais de um ano mama por vício, por isso questionam até se você tem leite. A pressão pelo desmame é tanta que  a sociedade, como sempre, joga a responsabilidade por esse processo em cima da mãe.

E quando o bebê "ainda" mama com dois anos? Pior ainda, a pressão é maior... E o que eu acho mais interessante é que as críticas vem de pessoas que amamentaram por muito pouco tempo, por semanas ou meses apenas, por mulheres que não gostaram ou não tiveram paciência de amamentar, por mulheres que nunca sequer tiveram a experiência da amamentação. É estranho como essas pessoas ficam querendo te convencer de que você está fazendo uma coisa desnecessária com seu filho, que se você ainda está amamentando é porque você tem algum problema ou dificuldade em quebrar o vínculo.

Já ouvi as mais diversas coisas. Houve uma ocasião que uma conhecida viu o Pietro mamando e falou assim: "daqui a pouco vai ter que tirar, né"? Minha resposta foi que não, que ele mamará até quando quiser, e ela disse "mas vê o que o pediatra vai dizer..." Como assim, o pediatra??? Ele é dono do meu corpo? Ele é dono da minha relação com meu filho? Como assim, ele decidir sobre questões tão pessoais da minha vida? Eu não dou esse poder a ele, mas infelizmente as pessoas consideram médicos seres divinos e permitem que decidam o que é melhor para elas.

Uma outra vez foi uma amiga, que veio me dizer que meu filho não precisa mais do meu leite, que agora é só um dengo. Poxa, parece até que o nosso leite se transforma em algo inútil pelo simples fato da criança ter completado 2 anos. O leite continua o mesmo, com os mesmos nutrientes, só que não dá para ser a única fonte de energia para uma criança dessa idade. Eu tenho certeza que meu leite é melhor do que qualquer um de caixinha. Primeiro, que ele é feito especialmente para um ser humano, diferente do leite da vaca, que é para um bezerro. Segundo, que ele não tem nenhuma contaminação, não passa por nenhum processo químico, é totalmente natural, coisa que nenhum leite industrializado jamais vai ser. Por que o leite de vaca, industrializado, é bom para ele e o meu não é, só porque ele fez dois anos? Discordo totalmente, com base em todos os argumentos descritos. Meu filho não toma leite de vaca, ele tem o meu. No máximo ele come alguns derivados de leite.

O peito é meu, o filho é meu e eu amamento enquanto eu quiser e ele também, ninguém tem nada a ver com isso! Parece que as pessoas carregam frustrações, recalques, e recriminam as mulheres que prolongam a amamentação. Que cada mulher amamente seu filho até quando quiser, até quando seus filhos desejarem, fazendo um desmame com respeito e consciente de que essa foi a melhor escolha a ser tomada.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Meu pequeno folião no carnaval 2012

Provando a fantasia de sultão algumas semanas antes do carnaval
Todo mundo que me conhece sabe que não sou nem um pouco afeita ao carnaval. Mas por causa do Pietro, esse ano fiz diferente. Desde a quinta-feira antes dos festejos começarem ele começou a dizer que iria "pular carnaval". Pensei, então, que deveria montar uma programação.

Pietro com a Mamãe, Tio Hugo, Dindinha e Mariana na Lapa
Já no começo da semana tinha saído uma oferta em um site de compras coletivas de um bailinho infantil no Fluminense. O Romando demorou um pouco para decidir a compra, já que o dia seria no meu plantão, e perdemos a oferta. Mas no final da semana abriram novamente e compramos o cupom das entradas, para um dia em que eu estava em casa.

Adicionar legenda
Um programa estava certo, e os outros dias? No sábado, pensei em levá-lo para dar uma volta e ver blocos. Passeamos pela Lapa. O domingo foi um dia morto, pois trabalhei. Segunda, só agitação, praia pela manhã e show da Bia Bedran em Niterói, "Carnaval de Todos os Tempos". E na terça o bailinho.

Em Ipanema

Bia Bedran no show "Carnaval de todos os tempos", Campo de São Bento, Nikiti

Show da Bia Bedran




É impressionante como esse menino tem pique e a pilha não acaba! No dia do show da Bia ele não tirou a soneca e não dormiu no carro, quando íamos para Niterói. Ficou com a maior cara de cansadinho o show todo, mas brincou, se divertiu, e dormiu quando enfim acabou. No bailinho esperávamos mais animação, mas acho que o ambiente cheio, com muito barulho, causou um pouco de estranhamento nele. Brincou um pouquinho e logo pediu para ir para casa. Papai aproveitou e foi dar uma olhadinha no treino do Flu, enquanto ele ficou jogando bola com os meninos maiores. Enfim, o carnaval 2012 foi só agitação!

Baile do Tricolor Mirim



video

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Merendinha da Mamãe e receita de bolo de chocolate mais saudável


Apesar de estarmos numa era tão dominada pelo poder da técnica, me sinto como uma mãe à moda antiga, tradicional. Mesmo trabalhando fora, fazendo mil e uma coisas, ainda faço questão de assumir algumas tarefas, como cozinhar. Acho que alguns detalhes sobre o preparo são muito importantes e se eu delegar para outra pessoa ela não terá os mesmos cuidados. Como sigo uma linha natureba, alimentos prontos, comprados congelados, ficam bem de fora do nosso dia a dia, recorremos a eles somente em uma emergência.

A vida ideal seria só com alimentos naturais, mas infelizmente numa cidade grande fica até difícil encontrar. Um bom exemplo é o leite. Outro dia li o quanto essas caixas longa vida são carregadas de química. A opção menos pior seria o leite de saco, mas hoje em dia é muito raro encontrá-lo, os supermercados já não vendem mais. Acho, então, que a solução é buscar comprar menos daquelas coisas semi-prontas (tipo mistura para bolo, pratos congelados) e mais naturais.

Bem, esse ano o Pietro foi para o Maternal e agora leva uma merenda. Existem muitas opções de coisas prontas  - biscoitos, sucos de caixinha, bolos industrializados - mas eu optei por fazer lanches bem caseiros. Primeiro, porque são muito melhores para a saúde. Segundo pela questão afetiva. Colocar pacotes de alimentos industrializados na merendeira, qualquer um pode fazer. Mas o bolinho e o suquinho que ele come em casa... Tem o carinho da mamãe! Eu tenho certeza que ele sente isso quando come o lanchinho na escola. Já perguntei a ele sobre a merenda que mando e ele abre aquele sorriso, falando do bolinho da mamãe. Por enquanto estou mandando bolo ou biscoito caseiro, pois ele ainda não gosta de sanduiches. Fazendo o bolo no liquidificador é muito mais rápido e prático, então não é nada que atrase tanto minhas tarefas diárias. Aproveito para postar uma receitinha de bolo de chocolate mais natural, sem açúcar refinado e sem chocolate em pó industrializado.

Bolo de chocolate

Ingredientes:
3 ovos
1 xícara e meia de açúcar mascavo
1 xícara de óleo de soja (ou outro que preferir)
1 xícara de leite
1 xícara e meia de farinha de trigo
1xícara de aveia em flocos finos
1/2 xícara de cacau em pó
1 colher de sopa de fermento em pó

Preparo:
Bata os três primeiros ingredientes no liquidificador, depois adicione os demais, menos o fermento. Deixe para adicionar o fermento no final, misturando a mão (faço assim porque no site do fermento Royal eles informam que bater o fermento no liquidificador pode fazer o bolo solar). É só assar, e pronto, um bolo muito mais saudável, com os nutrientes do açúcar mascavo, as propriedades benéficas do cacau e as fibras da aveia. Ah, e sem o colesterol da manteiga e a química da margarina.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Açúcar, um doce veneno

Quem opta por oferecer uma alimentação saudável ao filho é visto pela sociedade como um E.T. As pessoas se assustam se você não dá refrigerante, batata frita, alimentos processados, balas, biscoitos tipo isopor salgado (traduzindo: Fandangos, Cheetos e similares). Eu não consigo entender. Já está comprovado científicamente que tudo isso faz mal. Se faz mal, por que eu vou habituar meu filho a comer isso? Ele vai ter a vida inteira para comer de tudo, então, se meu papel é educá-lo, acho que educação alimentar faz parte disso. Muita gente reclama que o filho só quer comer besteira. Mas e aí, quem ofereceu primeiro, não foi a família? Tudo bem, a família não ofereceu primeiro, mas não foi ela quem continuou oferecendo outras vezes a besteira? E aí, a culpa é da criança? Claro que não! É que nem chupeta, a criança gosta e não quer largar, mas quem ofereceu foi a família, então não reclama!

Li hoje esse artigo sobre os malefícios do açúcar e achei muito bom. Ninguém vê mal no seu uso, as pessoas consomem desenfreadamente, e adoram encher as crianças com esse alimento. Eu evito e aqui em casa uso mascavo e demerara, que possuem menos química que o refinado. E ofereço bem pouco ao Pietro, não adiciono em sucos, nada, para acostumá-lo a um paladar não tão doce. Segue a matéria:

Consumo de açúcar deve ser controlado como cigarro e álcool (publicado no site Prontuário de Notícias em 14/2/2012)


"Se os governos querem cuidar da saúde pública, então as autoridades deveriam controlar o consumo de açúcar da mesma forma que controlam o consumo de cigarro e de álcool. A afirmativa contundente é de um grupo de três cientistas da Universidade da Califórnia (EUA), em um artigo publicado na conceituada revista Nature.
Segundo as Nações Unidas, as doenças infecciosas foram superadas no mundo, pela primeira vez na história, pelas doenças não-transmissíveis. E, segundo os cientistas, o açúcar está alimentando uma epidemia global de obesidade e contribuindo para 35 milhões de mortes todos os anos, causadas por doenças não-transmissíveis, como diabetes, doenças do coração e câncer.
Robert Lustig, Laura Schmidt e Claire Brindis afirmam que os efeitos danosos do açúcar no organismo humano são semelhantes aos promovidos pelo álcool e que, por isso, seu consumo também deveria ser regulamentado pelas autoridades de saúde.
"Nós não estamos falando sobre proibição. Estamos falando sobre formas brandas de tornar o consumo de açúcar ligeiramente menos conveniente, mantendo assim as pessoas longe de doses excessivas," disse Schmidt.
Segundo o trio, o consumo mundial de açúcar triplicou nos últimos 50 anos.
"Todo país que adotou uma dieta ocidental, dominada por alimentos de baixo custo e altamente processados, teve um aumento em suas taxas de obesidade e de doenças relacionadas a esse problema. Há hoje 30% mais pessoas obesas do que desnutridas", destacaram eles.
Mas o artigo destaca que a obesidade não é o principal problema do consumo excessivo de açúcar.
"Muitos acham que a obesidade está na raiz de todas essas doenças, mas 20% das pessoas obesas têm metabolismo normal e terão uma expectativa de vida também normal.
"Ao mesmo tempo, cerca de 40% das pessoas com pesos considerados normais desenvolverão doenças no coração e no fígado, diabetes e hipertensão", explicam eles.
Além disso, a disfunção metabólica é mais prevalente do que a obesidade.
De acordo com os autores do artigo, o cenário chegou a tal ponto que os países deveriam começar a controlar o consumo de açúcar. A regulação poderia incluir, sugerem, a taxação de produtos industrializados açucarados, a limitação da venda de tais produtos em escolas e a definição de uma idade mínima para a compra de refrigerantes.
Mas, diferentemente do álcool ou do cigarro, que são produtos consumíveis não essenciais, o açúcar está em alimentos, o que dificulta a sua regulação.
"Regular o consumo de açúcar não será fácil, especialmente nos 'mercados emergentes' de países em desenvolvimento, nos quais refrigerantes são frequentemente mais baratos do que leite ou mesmo água," destacaram. 
Fonte : Agência Fapesp"

sábado, 28 de janeiro de 2012

Receitas de Papinhas

Antes de começar com as comidinhas eu pesquisei um pouco sobre o assunto. Minha principal referência acabou sendo um manual do Ministério da Saúde, que referencio abaixo. O que me deixou impressionada foi o fato de alguns profissionais ainda não estarem atualizados e recomendarem coisas que o próprio Ministério da Saúde refere como ultrapassadas. Sopinhas, por exemplo. Não devem ser dadas para os bebês, são diluídas, com pouca concentração de calorias, o que pode comprometer o ganho de peso. Peneirar os legumes também é um erro. Pela própria dificuldade de limpeza da peneira, ela pode ser fonte de infecções. Os alimentos devem somente ser amassados, esse procedimento facilita, inclusive, o aprendizado da mastigação, a aceitação de alimentos mais sólidos. E o açúcar e o sal? O correto é evitá-los até os dois anos. Quem não conhece algum pediatra que orienta colocar geleia de mocotó, farinha láctea e outras porcarias cheias de açúcar nas frutinhas, aos seis meses? Pois é. A gente precisa se informar muito, até para argumentar com esses profissionais.

Minhas pesquisas foram me ajudando a definir como prepararia os alimentos. Sempre preferi cozinhar os legumes no vapor, pois preserva muito mais os nutrientes, e foi assim que comecei. Cozinhava um pedaço pequeno deles, amassava, colocava só um pouquinho de água filtrada para deixar mais pastoso. Sempre priorizava cozinhar os legumes na hora de oferecer, pois eles perdem nutrientes quando congelados. Como fazia os legumes no vapor, preparava as carnes a parte e congelava as porções, pois as proteínas já não têm o mesmo problema que vegetais e legumes. Refogava na cebola e bastante tomate, sem nenhum sal, temperava com salsinha. Usava um saquinho daqueles tipo zip para congelas as porções para cada refeição, que são 2 colheres de sopa de proteína/ carne. Esse manual também é bom porque tem uma tabela com essas quantidades. O arroz era cozido sem sal, meio papa, e as porções congeladas. Eu também fazia bastante arroz integral, mas era na panela de pressão. E o feijão era sem sal, refogado só em fiapinho de alho. Eu cozinhava na panela de pressão, batia para fazer o caldo, congelava em forminha de gelo e ia tirando as pedrinhas e refogando nas refeições. Aos poucos fui amassando o feijão, deixando de bater. Com o tempo fui ficando craque e as coisas fluindo com mais agilidade.

Depois de um tempo achei que deveria variar o cardápio. Só legumes cozidos no vapor com arroz ou macarrão, feijão e uma proteína era monótono. Foi então que encontrei as receitas que posto abaixo. São bem simples e me deram uma base para eu criar as minhas. Elas nada mais são do que uma proteína ensopada com legumes. Como há essa preocupação com a concentração energética, a gente cozinha até ficar com pouca água, aí a consistência fica pastosa, bem longe de ser líquida. As receitas ajudam a gente a aprender a combinar os ingredientes. Eu comecei a variar, dando essas papinhas na janta. Também fazia e congelava porções, me facilitava a vida quando saia ou quando por algum motivo não dava tempo de preparar a refeição. Ah, existe uma linha que critica as comidas caseiras congeladas para bebês por causa da perda de nutrientes. Tudo bem, isso acontece. Mas num momento de sufoco, entre dar a minha papinha ou a industrializada, não tenho nem dúvidas que a caseira é muito melhor!

As referências da obra de onde foram copiadas as receitas: SAÚDE DA CRIANÇA: Nutrição Infantil, Aleitamento Materno e Alimentação Complementar, Ministério da Saúde, Cadernos de Atenção Básica, nº 23.

Papa de abóbora (jerimum), folha de taioba e carne
Ingredientes
1 pedaço médio de jerimum (150g)
1 colher das de sopa cheia picada de taioba (ou outra folha verde escura)
2 colheres das de sopa cheias de carne moída (50g)
1 colher das de chá de óleo
1 colher das de café rasa de sal
1 colher das de chá de cebola ralada
1 pitada de orégano
Modo de preparo
Descascar o jerimum e cortá-lo em pedaços pequenos. Lavar bem as folhas de
taioba e picar. Colocar o óleo em uma panela pequena e refogar a cebola, colocar
os pedaços de jerimum e a carne moída e acrescentar dois copos de água. Deixar
cozinhar até o jerimum ficar macio. Antes de a água secar, adicionar a taioba picada e o orégano. Quando a papa estiver com consistência pastosa e com pouca
água, desligar.

Papa de batata, espinafre, cenoura e galinha
Ingredientes
1 batata média (100g)
½ cenoura (50g)
1 colher das de sopa cheia picada de espinafre (ou outra folha verde escura)
2 colheres das de sopa cheias de galinha desfiada ou 1 coxa (50g)
1 colher pequena de óleo
1 colher das de café rasa de sal
1 colher das de chá de cebola ralada
1 colher das de chá de tomate picado
Modo de preparo
Descascar a batata e cortá-la em pedaços pequenos. Picar a cenoura. Lavar bem
as folhas de espinafre e picar. Colocar o óleo em uma panela pequena e refogar

a cebola e o tomate. Colocar os pedaços de batata, cenoura e galinha desfiada e
acrescentar dois copos de água. Deixar cozinhar até a batata ficar macia. Antes de
a água secar, adicionar o espinafre picado. Quando a papa estiver com consistência
pastosa e com pouca água, desligar.

Papa de mandioca/macaxeira/aipim, brócolis, beterraba e fígado
Ingredientes
½ mandioca média (150g)
2 ramos de brócolis
2 fatias de beterraba
2 colheres das de sopa cheias de fígado picado (50g)
1 colher pequena de óleo
1 colher das de café rasa de sal
1 colher das de chá de cebola ralada
1 colher das de chá de cheiro verde picado
Modo de preparo
Descascar a mandioca e a beterraba e cortá-las em pedaços pequenos. Lavar bem
os brócolis e picar. Colocar o óleo em uma panela pequena e refogar a cebola, colocar os pedaços de mandioca, beterraba e fígado. Acrescentar o cheiro verde e
dois copos de água. Deixar cozinhar até que a mandioca e a beterraba fiquem macias. Antes de a água secar, adicionar os brócolis picados. Quando a papa estiver
com consistência pastosa e com pouca água, desligar.

Papa de feijão, arroz, espinafre e ovo
Ingredientes
½ concha com feijão
3 colheres das de sopa cheias de arroz
1 colher de sopa cheia picada de espinafre (ou outra folha verde escura)
1 ovo (50g)
1 colher pequena de óleo
1 colher das de café rasa de sal
1 colher das de chá de cebola ralada
1 dente de alho picado
Modo de preparo
Lavar bem as folhas e talhos do espinafre e picá-los. Colocar o óleo em uma panela pequena e refogar a cebola, o alho e o arroz, e acrescentar dois copos de água.
Deixar cozinhar até que o arroz esteja quase pronto. Antes de a água secar, acrescentar as folhas e talos picados de espinafre. Quando a papa estiver com consistência pastosa e com pouca água, desligar e adicionar o feijão e o ovo cozido. Amassar

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

O Desafio das Primeiras Papinhas




Há muito tempo que eu queria escrever sobre esse assunto. À época da introdução de novos alimentos eu cheguei a escrever aqui, desabafar minhas ansiedades. A verdade é que foi uma fase bem estressante, porque as coisas não são tão fáceis. Parece que subjetivamente existe uma pressão na gente para que o bebê, ao completar 6 meses, comece a aceitar a qualquer custo os outros alimentos. A pressão vem da própria ciência, dos pediatras: com 6 meses acaba a reserva de ferro que o bebê fez no ventre materno, se ele não comer pode ficar anêmico; o leite materno já não tem mais calorias suficientes para o bebê. Mas espera aí, não somos máquinas! A verdade é que cada bebê tem seu tempo para aceitar algo tão novo em sabores e texturas. E a outra verdade é que o leite materno continua sendo o principal alimento para o bebê, e não as outras coisas. As outras coisas é que COMPLEMENTAM O LEITE MATERNO, fornecem mais calorias para um bebê que já rola, já senta, já quer engatinhar, crescer. Eu demorei para entender isso. Mas encontrei muita informação aqui na internet, numa lista de mães no Yahoo e em comunidades do Orkut, como o Grupo Virtual de Amamentação e Meu Filho Não quer Comer.



Como foram as coisas? Bem, comecei tudo bem devagar. Amamentei exclusivo até 6 meses. Quando Pietro completou essa idade, comecei a dar frutas. Foi rejeição certa. Para observar alergias, oferecia o mesmo alimento por três dias, depois iniciava um novo, até ele provar todos. A cada dia oferecia metade de uma fruta, brincava, enganava, ele aceitava melhor umas, rejeitava completamente outras, e assim fomos. Cheguei a misturar leite materno para melhorar a aceitação, não ajudou muito no caso dele. Com quase 7 meses é que fui começar os alimentos 'de sal', que na realidade não devem levar sal algum. E aí foi o fim! Ele passou até a rejeitar até as frutas que estava aceitando! Eu oferecia a cada dia somente um legume, cozido no vapor, somente no almoço. Ele ficou muitos dias sem aceitar nada, só leite materno. E quando estava com quase 8 meses percebi que estava começando a aceitar os alimentos. Comecei a fazer o almoço com outros legumes, carnes, e de repente ele se transformou em um guloso, de uma hora para outra!
Foi impressionante essa mudança. Quando os alimentos deixaram de ser algo estranho e ele passou a gostar dos sabores, como comia! Aos 8 meses comecei a dar a janta, e ele comia tão bem que ganhou 1 kg de 8 para 9 meses! E as primeiras palminhas que bateu foi quando viu seu pratinho de comida pronto para ser oferecido. Até hoje ele é muito bom de boca, ao contrário do que dizem sobre os bebês de peito. Apesar de muitas crianças aos 2 anos darem trabalho para as mães para comerem, ele não dá. Tem dias que não está muito a fim do almoço, aí come na janta. Hoje encaro isso na maior naturalidade, pois vejo ele crescer e ganhar peso a cada dia.

Em todo esse processo, nunca neguei o peito. Quando ele recusava os alimentos eu insistia durante um tempo, mas tentava não forçar muito para não transformar a refeição em um momento desagradável, e aí sim eu amamentava. Eu insistia um pouco para ele entender que existia o momento de comer a comidinha. E sempre dizia a ele que ele poderia comer e mamar. Quando ele começou a aceitar bem a comida, era impressionante: mamava antes de comer, comia tudo, chorava quando acabava a comida, aí eu dava uma sobremesa, que era sempre uma fruta, e depois ele pedia para mamar mais. Um verdadeiro guloso.



Confesso que fiquei extremamente estressada e hoje vejo que sem motivos. Mas dei bastante sorte com ele, é uma criança que adora comer. Bem, o próximo post será sobre as papinhas!

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Por que dar colo?


Semana passada uma colega de trabalho deu à luz no hospital em que trabalhamos. Como estava de plantão, fui visitá-la. Sua bebezinha estava toda aconchegada no colinho da tia, que trabalha conosco e também estava de plantão naquela noite, sendo docemente embalada. Mais eis que surgem outras colegas, e num tom de ironia, já a recriminaram dizendo que a bebezinha vai ficar mal acostumada, afinal, além de estar no colo, ainda estava sendo embalada.

Pois é. Essa era a mesma crítica que eu sempre ouvia. Diziam que meu filho iria ficar dependente, inseguro. Dei muito colo e nada disso aconteceu. Todas as vezes que alguém fala mal de dar colo me lembro desse texto do Frédérick Leboyer, que abaixo transcreverei. Para mim, ele descreve o que deve ser chegar nesse mundo hostil para um bebê e porque é importante dar colo, carinho, aconchego.



No ventre da mãe, a vida era uma riqueza infinita.
Sem falar nos sons e nos ruídos, para a criança todas as coisas
estavam em constante movimento.
Se a mãe se erguer e andar,
se ela se virar ou inclinar-se
ou erguer-se na ponta dos pés.
Se ela debulhar legumes ou usar a vassoura,
quantas ondas,
quantas sensações para a criança.
E se a mãe for descansar,
pegar um livro e sentar-se,
ou se deitar e adormecer,
sua respiração será sempre a mesma
e o marulho calmo-
a ressaca-
continua a embalar o bebê.

Depois,
passada a tempestade do nascimento,
eis a criança sozinha no berço,
ou melhor dizendo, numa dessas caminhas que são como gaiolas
de recém-nascidos.
Nada mais se mexe!
Deserto.

E o silêncio.
Repentinamente, o mundo ao redor congelou-se,
coagulou-se,
numa imobilidade completa e terrível.
E,
enquanto lá fora faz-se completo vazio,
eis que
aqui dentro
alguma porção no ventre
agarra
torce
morde...
"Mamãe! Mamãe!"
Ah, que pavor!

No ventre?
Não
ali na escuridão!
Sim, no escuro
há um animal.
Sim, sim, um tigre, um leão...
"Eu o escuto! Eu o percebo!
Mamãe! Mamãe!"

Um animal? Na escuridão?
Prestes a saltar sobre a criança para devorá-la?
Um lobo, talvez?
Um lobo transformado em avó
e que espreita Chapeuzinho Vermelho
preparando-se para devorá-lo?

Um lobo?
Onde?
Na cama? Embaixo da cama?
Atrás do biombo?

Não!
Está bem ali no ventre.
E se chama
fome.

A fome é um monstro?
A fome é sensação agradável. Não é verdade? Porque, de fato, com
muita satisfação, a vemos repetir-se várias vezes ao dia.
Para nós,
uma agradável satisfação.
Porque nós sabemos muito bem que iremos comer.

E para a criança?
O pobre bebê pode movimentar-se?
Deslocar-se até a despensa?
Como se estivesse no restaurante, pode ele gritar:
"Garçom! Garçom!"?
Ele não se cansa de chamar. E, realmente, com toda a força.
Ele berra
para mostrar que lá dentro...

E... Não acontece nada!
É preciso esperar.
E sofrer.
E se inquietar... com o desassossego.
Até que, finalmente, do deserto exterior em que o mundo se fez
vem alguma coisa
que por fim aquieta
o monstro desperto
lá dentro.

Fora, dentro...
Eis o mundo dividido em dois.
Dentro a fome.
Fora, o leite.
Nasceu
o espaço.

Dentro, a fome
fora, o leite.
E, entre os dois,
a ausência,
a espera,
sofrimento indizível.
E que se chama
tempo.

E é assim
que, tão somente
do apetite,
nasceram
o espaço
e a existência.

(Frédérick Leboyer em 'Shantala, uma arte tradicional, massagem para bebês')

Pois é... As pessoas não param para pensar e analisar todas essas mudanças para o bebê, do aconchego do ventre para o vazio do berço, da saciedade constante a dor da fome. E ele precisa ficar no berço, chorar, para aprender. Mas para aprender o quê? Que o mundo é cruel? Que ele não deve esperar contar com ninguém?

Vamos refletir: Por que querermos que nossos filhos amadureçam tão rápido? Por que não deixar que as coisas aconteçam em seu tempo? Por que será que estamos impondo esses conceitos tão imediatistas da sociedade moderna na criação de nossos filhos? A troco de quê? Melhor para quem?