Depoimento publicado no Boletim Peito Aberto, ano 23, número 74, julho de 2011. Disponível em http://www.amigasdopeito.org.br/?paged=2
Blog destinado aos preparativos para o chá de fraldas do Pietro, mas que agora se tornou meu cantinho de reflexões sobre a maternidade. Bem vindo!
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
Um depoimento sobre amamentação e empoderamento
O Pietro nasceu de uma cesárea não desejada. Mas isso é uma outra história. A questão é que isso para mim foi um dos fatores que interferiu negativamente no começo da amamentação. Antes de ele nascer eu cheguei a ir a uma reunião das Amigas do Peito, pois apesar de trabalhar na área de saúde nunca achei que comigo as coisas seriam mais fáceis, pelo contrário, pensava até que poderiam ser mais difíceis. E foram bem difíceis… O Pietro nasceu às 21h31 e só veio ficar comigo depois da meia noite. Quando ele chegou a primeira coisa que fiz foi colocá-lo para mamar. Eu ali, sem jeito, movimentos limitados porque ainda estava anestesiada, coloquei meu filho para mamar da melhor forma que consegui. E ao invés de ser apoiada ouvi da técnica de enfermagem que me assistia que ele estava com ‘a pega errada’. A ajuda dela limitou-se a enfiar mais o meu peito na boca do meu filho. Ela saiu do quarto e a impressão que meu marido teve e me disse depois é de que ela estava com muita má vontade para ajudar. Após uma madrugada inteira tentando amamentar como conseguia meus mamilos estavam doloridos, vermelhos. Nessa tal maternidade, referência na rede privada aqui no Rio de Janeiro, existe um Grupo de Amamentação. A minha obstetra pediu para a enfermeira desse grupo conversar comigo. Estranhei as orientações, pois depois de muito me informar e até questioná-la sabia que algumas coisas não eram recomendadas, como fazer aquela mão em tesoura para dar o peito para o bebê. Mas na minha inexperiência, querendo tentar fazer a tal ‘pega correta’ e diminuir a dor que já era bastante incômoda, eu fiz o que ela falou. E não adiantou, ele continuava com a ‘pega’ errada, a amamentação era com dor, eu fui para casa numa sexta e passei o fim de semana com dor. Nesse período meus mamilos ficaram bastante machucados. Somente na segunda eu falei com a minha obstetra e busquei ajuda com uma pessoa que ela me indicou. Essa pessoa me orientou buscar um Banco de Leite, e no dia seguinte eu fui. Esse Banco de Leite pertence a um hospital municipal e eu passei a manhã lá, até aprender a dar o peito para meu filho. A mídia, a população, todos criticam o SUS, mas foi lá que eu encontrei a orientação e o cuidado que as pessoas da rede privada não tiveram competência para me dar. Daí em diante segui todas as orientações para cuidar dos mamilos feridos, mas cada mamada era uma dor, um sacrifício, uma angústia. As semanas se passavam e a dor permanecia, a cicatrização demorava. Eu chorava e me sentia a pior das mães. Me perguntava por que aquilo tudo comigo, quando eu teria prazer em amamentar. Culpava a cesárea, culpava a maternidade onde ele nasceu… O apoio do meu marido foi fundamental. Ele sempre me incentivou, apesar do sofrimento. Colocava música para eu relaxar nos momentos em que ia amamentar, ficava com o Pietro para eu poder descansar. Apesar daquilo tudo não entrava na minha cabeça dar outro leite que não fosse o meu, e eu lutava contra toda aquela dor. Escrevi para as Amigas e fui à reunião de Botafogo. Foi o apoio que eu precisava, a Karina me ensinou uma posição para amamentar que causava menos dor. Quando o Pietro completou 1 mês, as feridas cicatrizaram. Ainda sentia um desconforto no mamilo direito, mas com o tempo isso passou. Só que aí veio a segunda prova de fogo: Pietro ganhou pouco peso. Na verdade, eu já estava achando que isso estava acontecendo porque percebi que ele cresceu, mas não percebia ficar mais fortinho. O momento em que eu vi na balança que ele ganhou pouco foi muito, muito difícil. Na mesma hora pensei “meu Deus, agora vai ter que complementar!”. Ao menos o pediatra demonstrou flexibilidade, ele deu 15 dias para observarmos o ganho de peso dele e disse que achava que o que aconteceu foi um problema de ajuste no início da amamentação. Eu fiquei desolada, só pensava o quanto dar outro leite, coisa que para mim era inadmissível, iria atrapalhar a amamentação. Fiquei paranóica. Na primeira semana o pesei umas três vezes. E ao final de 7 dias ele só tinha ganho 30g. Procurei novamente a mesma pessoa que me indicou o Banco de Leite, fui na reunião das Amigas na Tijuca. Felizmente o problema era mesmo de adaptação: como muitos recém nascidos o Pietro dormia demais e mamava de menos. Tive que ter muita paciência com ele, ficava bastante tempo com ele no peito, acordava, trocava a fralda, tirava a roupa, tentava fazer ele ficar desperto. Comecei a complementar com meu próprio leite, a nutricionista que me ajudou em todo esse processo me ensinou a tirar o meu leite no final da mamada, porque o Pietro não chegava a deixar meu peito mais vazio depois que mamava. Aí eu oferecia esse leite com a técnica de relactação, quando não dava para ordenhar depois eu tirava o leite antes, foi uma dica para facilitar o ganho de peso que a Maria Lúcia e a Rose me deram. Fiz isso por uns 20 dias, voltei ao pediatra e o Pietro ganhou quase 1kg! Quando ele completou 2 meses começou a ficar esperto, dormir menos e mamar mais, e daí para frente continuou ganhando bastante peso. Tenho muito orgulho de dizer que nunca dei outro leite para ele que não fosse o meu. Até 6 meses ele era mais magro do que os outros bebês. As pessoas achavam que ele era mais novo, davam menos tempo de vida para ele. Acho que isso é muito difícil para uma mãe, essas comparações com outros bebês, mas eu aprendi que meu filho é único e isso foi bom para mim, porque até hoje eu procuro não comparar ele com outras crianças. Nesse primeiro ano de vida dele participei de muitas reuniões das Amigas do Peito e isso foi muito importante nessa fase da minha vida. O início da maternidade foi um momento de muita solidão, nos grupos eu podia compartilhar com mulheres que viviam a mesma fase e problemas tão parecidos com os meus. Conheci muitas mulheres bacanas, fiz amizades e aprendi o quanto um grupo pode nos fortalecer. Pietro está com 1 ano e 10 meses e adora mamar. Descobri que amamentar é realmente um prazer e tudo o que vivenciei fez com que eu me engajasse nessa luta pelo direito de amamentar. Há pouco mais de um ano colaboro com as Amigas do Peito e faria tudo o que fiz de novo se tivesse que passar pelas mesmas dificuldades!
Depoimento publicado no Boletim Peito Aberto, ano 23, número 74, julho de 2011. Disponível em http://www.amigasdopeito.org.br/?paged=2
Depoimento publicado no Boletim Peito Aberto, ano 23, número 74, julho de 2011. Disponível em http://www.amigasdopeito.org.br/?paged=2
domingo, 21 de agosto de 2011
Meninos e Felinos
O Sheik chegou em nossa casa logo que nos mudamos para a vila. Era dezembro e chovia bastante, uma daquelas chuvas de verão. Enquanto dava a janta do Pietro, ouvi um miado. Não parecia de gato de verdade, era estranho... Pedi para o Romando olhar. Ele abriu a porta e o Sheik entrou. Pequenino, cinza, muito magrinho, Romando quis ficar com ele, e eu fiquei morrendo de pena de expulsá-lo depois de ter acolhido. Telefonei para nossa amiga Bruna, especialista em gatos, para sabermos que procedimentos tomar. Depois das orientações, fui colocá-las em prática: dei um banho, colocamos leite (era de noite e não tínhamos ração). No dia seguinte o Romando levou ele ao veterinário.
Sheik deveria ter 2 meses e meio, pela estimativa do médico. Estava desnutrido. Alimentamos ele e em uma semana ganhou bastante peso. No começo estranhei cuidar dele. A convivência que eu tinha com bichos era somente com cães, e eles são muito diferentes. Pouco a pouco fui me afeiçoando, entendendo seu jeitinho felino de se relacionar. O Romando foi quem se decepcionou. Esperava que ele fosse mais dengoso, mais carinhoso, mas esse não é o perfil dos gatos.
Pietro sempre gostou muito do Sheik. Acordava, e ainda acorda, perguntando por ele. O Romando perguntou para o pediatra se haveria riscos para o Pietro, e sua resposta era para que tomássemos cuidado. No dia a dia o que fomos vendo é que quem precisa tomar cuidado é o gato, porque o Pietro faz cada brincadeira! Temos de estar de olho para proteger o Sheik. Pietro de vez em quando quer puxar o rabo, às vezes o gato está quietinho e lá vai ele atiçá-lo. Resultado: Sheik entra no clima e começa a 'dar o bote' no Pietro, mordendo sua perna, braço. Sheik gosta do Pietro, é bem tolerante e gosta de dormir juntinho dele.
quinta-feira, 18 de agosto de 2011
Pietro na natação
Contando um pouquinho do que já passou: verão fervendo e me veio a idéia de colocar o Pietro na natação. Era final de janeiro e eu sabia que algumas academias ofereciam aula de natação com a participação da mãe junto aos seus bebês. Procurei e encontrei uma com um horário legal. Matriculei o Pietro.
Ele estava com 1 ano e 4 meses e estranhou nas duas primeiras aulas o ambiente aquático, porém, logo começou a gostar da piscina. A experiência de estar com ele na piscina, brincar e compartilhar essa adaptação foram deliciosos. Mantive ele na natação até o meio do inverno. Depois não deu mais, família toda doente, frio (apesar de que nosso frio carioca é mixuruca...). Apesar de um mês sem fazer aulas ele lembra das brincadeiras e reproduz as aulas de natação na sua banheira ou no peniquinho (sim, ele carregou um penico para o banho e dá banho nos bonecos ali dentro!).
Vamos voltar, logo que o tempo colaborar! Fica aqui um vídeo que o avô de um coleguinha colocou no You Tube.
Ele estava com 1 ano e 4 meses e estranhou nas duas primeiras aulas o ambiente aquático, porém, logo começou a gostar da piscina. A experiência de estar com ele na piscina, brincar e compartilhar essa adaptação foram deliciosos. Mantive ele na natação até o meio do inverno. Depois não deu mais, família toda doente, frio (apesar de que nosso frio carioca é mixuruca...). Apesar de um mês sem fazer aulas ele lembra das brincadeiras e reproduz as aulas de natação na sua banheira ou no peniquinho (sim, ele carregou um penico para o banho e dá banho nos bonecos ali dentro!).
Vamos voltar, logo que o tempo colaborar! Fica aqui um vídeo que o avô de um coleguinha colocou no You Tube.
domingo, 14 de agosto de 2011
Feliz Dia dos Pais!!!
Pois é, mais de um ano sem escrever... Muitas coisas aconteceram: voltei a trabalhar nos dois empregos, Pietro cresceu e está cada vez mais esperto. Mas acho que quero voltar a ser blogueira. E não há tema melhor para escrever do que sobre o dia de hoje, Dia dos Pais.
O post de hoje é uma homenagem ao Romando, companheiro amado e excelente pai. Acho que não poderia ter escolhido um pai melhor para o Pietro: Romando é companheiro, engraçado, carinhoso e só falta se jogar no chão para brincar com ele. É muito bonito ver o carinho e vínculo afetivo do Pietro por ele.
Romando, parabéns!!!!
E aqui vai uma linda foto desses dois caras, os homens da minha vida:
O post de hoje é uma homenagem ao Romando, companheiro amado e excelente pai. Acho que não poderia ter escolhido um pai melhor para o Pietro: Romando é companheiro, engraçado, carinhoso e só falta se jogar no chão para brincar com ele. É muito bonito ver o carinho e vínculo afetivo do Pietro por ele.
Romando, parabéns!!!!
E aqui vai uma linda foto desses dois caras, os homens da minha vida:
quarta-feira, 5 de maio de 2010
Praia
Pietro conheceu a praia. No último feriadão viajamos para a casa de veraneio do meu cunhado, em Praia Seca, onde a areia e o mar são limpos. O lugar ideal para um bebê ter seu primeiro contato.
Pietro conheceu a textura da areia e a água do mar. Um estranhamento inicial, natural. Mas logo deu vazão a sua curiosidade, explorando a areia e brincando com a água na piscininha.
Foram momentos muito bonitos, inesquecíveis. São os presentes que a vida nos dá.
Ainda na areia, se ambientando
Com a mamãe
Brincando com o papai
Sentindo a areia
Aproveitando para dar uma mamadinha
terça-feira, 4 de maio de 2010
Desmamando o Pietro. E me desmamando dele... (No sentido afetivo)
Falta menos de um mês para a minha volta a um dos trabalhos. E isso me angustia. Cheguei a conclusão de que existem mães que mesmo sem nunca terem amamentado não conseguem jamais desmamar seus filhos. São mães que criam uma relação de dependência com os filhos, que não permitem que eles sejam do mundo e sigam suas vidas. Decidi que não quero e não me permitirei ser uma mãe assim.
Voltar ao trabalho será um processo de desmame. Do Pietro e meu. Talvez, principalmente, da minha parte. Porque vai ser um belo exercício de desapego deixar meu pequenino em casa, não estar junto dele cuidando, amamentando, embalando, velando seu sono... Esse é o lado positivo que procuro ver nesse novo momento que viveremos. Porque será difícil, mas será um modo de começarmos esse aprendizado de seguirmos juntos e ao mesmo tempo independentes nessa longa estrada que é a vida.
Quanto a aceitação de sólidos pelo Pietro, o processo está sendo lento e gradativo. Pietro tem me mostrado o limite da minha insistência, que devo sempre parar se isso estiver desrespeitando o outro. E usando minha intuição e criatividade de mãe descobri algumas formas do Pietro aceitar um pouco da comida: ele come algumas coisinhas se vê que eu estou comendo e tem aceitado um pouco das ditas comidas de sal depois que deixei ele explorar, brincando, a comida.
Antigamente a introdução de sólidos era considerado o início do desmame. Amamentar pode ser difícil no começo. Mas considerando essa fase como o começo do desmame, desmamar me parece ser mais difícil ainda!
segunda-feira, 19 de abril de 2010
É duro ser mãe...
Toda mãe quer ver seu filho bonito.
Se põe uma roupa mais arrumadinha, é esnobe; se deixa a vontade, desleixada.
Toda mãe quer seu filho saudável.
Se é cuidadosa quando o filho ainda é indefeso, é exagerada; se deixa ele se expor quando é chegada a hora, descuidada.
Toda mãe quer alimentar seu filho da melhor forma.
Se quer muito amamentar e tem dificuldades, por que não dar a fórmula? Mas se ela dá a fórmula, foi porque no fundo não queria amamentar.
Toda mãe quer dar conforto ao seu filho.
Se dá aconchego no colo, está mimando e deixando dependente; se mesmo confortando ele ainda chora, é porque não sabe cuidar.
Toda mãe deseja o melhor para seu filho.
Se ela é batalhadora, quer aparecer; se ela não tem apoio e abdica da luta, é incapaz.
Toda mãe sabe intuitivamente como cuidar do seu filho.
Se tenta fazer diferente porque acha que isso vai contribuir para seu filho se tornar um ser humano melhor, é radical; se faz o que todo mundo diz nunca vai ser perfeita, porque cada um tem um palpite para dar.
A sociedade cobra.
A sociedade quer que você seja boa mãe.
Todo mundo critica, mas quem ajuda?
Se põe uma roupa mais arrumadinha, é esnobe; se deixa a vontade, desleixada.
Toda mãe quer seu filho saudável.
Se é cuidadosa quando o filho ainda é indefeso, é exagerada; se deixa ele se expor quando é chegada a hora, descuidada.
Toda mãe quer alimentar seu filho da melhor forma.
Se quer muito amamentar e tem dificuldades, por que não dar a fórmula? Mas se ela dá a fórmula, foi porque no fundo não queria amamentar.
Toda mãe quer dar conforto ao seu filho.
Se dá aconchego no colo, está mimando e deixando dependente; se mesmo confortando ele ainda chora, é porque não sabe cuidar.
Toda mãe deseja o melhor para seu filho.
Se ela é batalhadora, quer aparecer; se ela não tem apoio e abdica da luta, é incapaz.
Toda mãe sabe intuitivamente como cuidar do seu filho.
Se tenta fazer diferente porque acha que isso vai contribuir para seu filho se tornar um ser humano melhor, é radical; se faz o que todo mundo diz nunca vai ser perfeita, porque cada um tem um palpite para dar.
A sociedade cobra.
A sociedade quer que você seja boa mãe.
Todo mundo critica, mas quem ajuda?
Assinar:
Postagens (Atom)