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quinta-feira, 1 de março de 2012

Amamentar... Até quando?

Alma Parens - Adolphe William Bouguereau
Depois que o bebê completa 1 ano começa uma grande pressão social pelo desmame. Muitas pessoas que veem o bebê mamando acham aquilo estranho. Um dos conceitos que muitas pessoas trazem é que bebê de mais de um ano mama por vício, por isso questionam até se você tem leite. A pressão pelo desmame é tanta que  a sociedade, como sempre, joga a responsabilidade por esse processo em cima da mãe.

E quando o bebê "ainda" mama com dois anos? Pior ainda, a pressão é maior... E o que eu acho mais interessante é que as críticas vem de pessoas que amamentaram por muito pouco tempo, por semanas ou meses apenas, por mulheres que não gostaram ou não tiveram paciência de amamentar, por mulheres que nunca sequer tiveram a experiência da amamentação. É estranho como essas pessoas ficam querendo te convencer de que você está fazendo uma coisa desnecessária com seu filho, que se você ainda está amamentando é porque você tem algum problema ou dificuldade em quebrar o vínculo.

Já ouvi as mais diversas coisas. Houve uma ocasião que uma conhecida viu o Pietro mamando e falou assim: "daqui a pouco vai ter que tirar, né"? Minha resposta foi que não, que ele mamará até quando quiser, e ela disse "mas vê o que o pediatra vai dizer..." Como assim, o pediatra??? Ele é dono do meu corpo? Ele é dono da minha relação com meu filho? Como assim, ele decidir sobre questões tão pessoais da minha vida? Eu não dou esse poder a ele, mas infelizmente as pessoas consideram médicos seres divinos e permitem que decidam o que é melhor para elas.

Uma outra vez foi uma amiga, que veio me dizer que meu filho não precisa mais do meu leite, que agora é só um dengo. Poxa, parece até que o nosso leite se transforma em algo inútil pelo simples fato da criança ter completado 2 anos. O leite continua o mesmo, com os mesmos nutrientes, só que não dá para ser a única fonte de energia para uma criança dessa idade. Eu tenho certeza que meu leite é melhor do que qualquer um de caixinha. Primeiro, que ele é feito especialmente para um ser humano, diferente do leite da vaca, que é para um bezerro. Segundo, que ele não tem nenhuma contaminação, não passa por nenhum processo químico, é totalmente natural, coisa que nenhum leite industrializado jamais vai ser. Por que o leite de vaca, industrializado, é bom para ele e o meu não é, só porque ele fez dois anos? Discordo totalmente, com base em todos os argumentos descritos. Meu filho não toma leite de vaca, ele tem o meu. No máximo ele come alguns derivados de leite.

O peito é meu, o filho é meu e eu amamento enquanto eu quiser e ele também, ninguém tem nada a ver com isso! Parece que as pessoas carregam frustrações, recalques, e recriminam as mulheres que prolongam a amamentação. Que cada mulher amamente seu filho até quando quiser, até quando seus filhos desejarem, fazendo um desmame com respeito e consciente de que essa foi a melhor escolha a ser tomada.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

O Desafio das Primeiras Papinhas




Há muito tempo que eu queria escrever sobre esse assunto. À época da introdução de novos alimentos eu cheguei a escrever aqui, desabafar minhas ansiedades. A verdade é que foi uma fase bem estressante, porque as coisas não são tão fáceis. Parece que subjetivamente existe uma pressão na gente para que o bebê, ao completar 6 meses, comece a aceitar a qualquer custo os outros alimentos. A pressão vem da própria ciência, dos pediatras: com 6 meses acaba a reserva de ferro que o bebê fez no ventre materno, se ele não comer pode ficar anêmico; o leite materno já não tem mais calorias suficientes para o bebê. Mas espera aí, não somos máquinas! A verdade é que cada bebê tem seu tempo para aceitar algo tão novo em sabores e texturas. E a outra verdade é que o leite materno continua sendo o principal alimento para o bebê, e não as outras coisas. As outras coisas é que COMPLEMENTAM O LEITE MATERNO, fornecem mais calorias para um bebê que já rola, já senta, já quer engatinhar, crescer. Eu demorei para entender isso. Mas encontrei muita informação aqui na internet, numa lista de mães no Yahoo e em comunidades do Orkut, como o Grupo Virtual de Amamentação e Meu Filho Não quer Comer.



Como foram as coisas? Bem, comecei tudo bem devagar. Amamentei exclusivo até 6 meses. Quando Pietro completou essa idade, comecei a dar frutas. Foi rejeição certa. Para observar alergias, oferecia o mesmo alimento por três dias, depois iniciava um novo, até ele provar todos. A cada dia oferecia metade de uma fruta, brincava, enganava, ele aceitava melhor umas, rejeitava completamente outras, e assim fomos. Cheguei a misturar leite materno para melhorar a aceitação, não ajudou muito no caso dele. Com quase 7 meses é que fui começar os alimentos 'de sal', que na realidade não devem levar sal algum. E aí foi o fim! Ele passou até a rejeitar até as frutas que estava aceitando! Eu oferecia a cada dia somente um legume, cozido no vapor, somente no almoço. Ele ficou muitos dias sem aceitar nada, só leite materno. E quando estava com quase 8 meses percebi que estava começando a aceitar os alimentos. Comecei a fazer o almoço com outros legumes, carnes, e de repente ele se transformou em um guloso, de uma hora para outra!
Foi impressionante essa mudança. Quando os alimentos deixaram de ser algo estranho e ele passou a gostar dos sabores, como comia! Aos 8 meses comecei a dar a janta, e ele comia tão bem que ganhou 1 kg de 8 para 9 meses! E as primeiras palminhas que bateu foi quando viu seu pratinho de comida pronto para ser oferecido. Até hoje ele é muito bom de boca, ao contrário do que dizem sobre os bebês de peito. Apesar de muitas crianças aos 2 anos darem trabalho para as mães para comerem, ele não dá. Tem dias que não está muito a fim do almoço, aí come na janta. Hoje encaro isso na maior naturalidade, pois vejo ele crescer e ganhar peso a cada dia.

Em todo esse processo, nunca neguei o peito. Quando ele recusava os alimentos eu insistia durante um tempo, mas tentava não forçar muito para não transformar a refeição em um momento desagradável, e aí sim eu amamentava. Eu insistia um pouco para ele entender que existia o momento de comer a comidinha. E sempre dizia a ele que ele poderia comer e mamar. Quando ele começou a aceitar bem a comida, era impressionante: mamava antes de comer, comia tudo, chorava quando acabava a comida, aí eu dava uma sobremesa, que era sempre uma fruta, e depois ele pedia para mamar mais. Um verdadeiro guloso.



Confesso que fiquei extremamente estressada e hoje vejo que sem motivos. Mas dei bastante sorte com ele, é uma criança que adora comer. Bem, o próximo post será sobre as papinhas!

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Mamadeiras e chupetas: itens totalmente dispensáveis para um bebê


Já sei, lendo o título desse post você pensou: nossa, como ela é radical! Antes de discutir o uso desses artefatos, quero fazer um esclarecimento. Sim, eu sou radical. Segundo a Claudia Orthof, das Amigas do Peito, a palavra radical vem de raiz, ser radical é estar ligada às raízes das nossas convicções. E eu estou plenamente enraizada às minhas convicções sobre amamentação, por isso nunca ofereci esse tipo de coisa para meu filho.

Até hoje Pietro só conhece um bico, o do meu peito. E com toda a sinceridade, nunca tive a necessidade de apresentar nenhum outro. Logo no começo da amamentação, quando fiquei um mês com fissuras, tentei em alguns momentos dar o meu leite de outra forma para ele, e tentei o copinho. Só que eu não sabia oferecer, então preferi manter a amamentação, mesmo com as dificuldades. Depois, na fase em que complementei com o meu leite, fiz a técnica da relactação (usava uma sondinha para ele sugar o leite enquanto mamava no peito). Logo ele entrou de cabeça na fase oral. Apesar de colocar as mãozinhas na boca nunca foi tão fissurado nisso e a gente aqui sempre agiu com naturalidade. Nunca reprimimos, nunca enfatizamos, nunca nem sequer pensamos em dar chupetas. Nas crises de cólicas seguíamos uma dica muito bacana dada por uma nutricionista amiga da amamentação. Como a sucção acalma, colocávamos nosso dedo mindinho com a polpa voltada para o céu da boca para que ele ficasse sugando. Também foi algo que só funcionou nos primeiros três meses, porque depois ele recusou.

Aos seis meses, junto com a alimentação complementar, comecei a oferecer água. Como fui informada de que os copos de transição não são tão inofensivos assim (seu uso pode levar a mordida cruzada porque a criança tende a morder aquele bico duro) resolvi comprar um copinho de cachaça para oferecer água para ele. Esse tipo de copo, tanto quanto a xícara de café, são perfeitos para os bebês por causa do tamanho, pequeninos como a boquinha deles. Nessa fase eu já sabia utilizar o copinho, depois de buscar informações sobre como oferecer. E era tranqüilo, ele bebia super bem. Pietro cresceu bebendo direto no copo, sem bico, e hoje, aos 2 anos, não tem nenhuma dificuldade em fazê-lo.

Um bebê pode crescer sem mamadeiras e sem chupetas. O bebê recém nascido consegue beber no copinho, então no caso de dificuldades é só recorrer a ele. E não é difícil oferecer, basta encostar o leite na boquinha do bebê que ele lambe que nem gatinho. Com seis meses ele vai fazer a mesma coisa e lambendo não há risco nenhum de engasgar, ao contrário do que muita gente pensa. Uma pena é que isso tudo não é divulgado, muitas mães acabam oferecendo a mamadeira para seus bebês e eles desmamando muito cedo por causa da confusão de bicos. Só quando a amamentação está perdida é que acabam descobrindo esse problema. Claro que há toda uma manipulação de informações pelas indústrias para que esse conhecimento não seja disseminado ou seja entendido pelas pessoas apenas como uma possibilidade remota.

E o que eu tenho a dizer sobre as chupetas? Particularmente eu entendo que a chupeta é uma espécie de rolha. Chorou? Rolha, que é igual a chupeta. É mais simples do que ver o que está incomodando o bebê. É mais fácil do que ficar com ele no colo minutos acalentando. Não acredito que as mães utilizem pensando dessa forma, em colocar uma rolha no seu filho, mas se você parar para analisar o objetivo é esse, é como se a chupeta fosse algo para diminuir seu trabalho, porque satisfaz uma necessidade do bebê sem precisar que você esteja 100% presente. Sim, o bebê precisa sugar, mas sugar o peito da mãe. Assim ele vive plenamente a fase oral e tem o contato pele a pele, tão importante para o desenvolvimento emocional. Isso exige disponibilidade, entrega, coisas que a nossa sociedade individualista nos faz acreditar que são desnecessárias. E mais um dado importante sobre as chupetas: elas atrapalham a amamentação. Estudos apontam que o desmame é precoce nos bebês que usam chupeta, pois a sucção é diferente da que é feita no seio materno.

Deixo aqui um link com um vídeo que mostra como é simples oferecer o leite em um copinho para o bebê.






segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Um depoimento sobre amamentação e empoderamento

O Pietro nasceu de uma cesárea não desejada. Mas isso é uma outra história. A questão é que isso para mim foi um dos fatores que interferiu negativamente no começo da amamentação. Antes de ele nascer eu cheguei a ir a uma reunião das Amigas do Peito, pois apesar de trabalhar na área de saúde nunca achei que comigo as coisas seriam mais fáceis, pelo contrário, pensava até que poderiam ser mais difíceis. E foram bem difíceis… O Pietro nasceu às 21h31 e só veio ficar comigo depois da meia noite. Quando ele chegou a primeira coisa que fiz foi colocá-lo para mamar. Eu ali, sem jeito, movimentos limitados porque ainda estava anestesiada, coloquei meu filho para mamar da melhor forma que consegui. E ao invés de ser apoiada ouvi da técnica de enfermagem que me assistia que ele estava com ‘a pega errada’. A ajuda dela limitou-se a enfiar mais o meu peito na boca do meu filho. Ela saiu do quarto e a impressão que meu marido teve e me disse depois é de que ela estava com muita má vontade para ajudar. Após uma madrugada inteira tentando amamentar como conseguia meus mamilos estavam doloridos, vermelhos. Nessa tal maternidade, referência na rede privada aqui no Rio de Janeiro, existe um Grupo de Amamentação. A minha obstetra pediu para a enfermeira desse grupo conversar comigo. Estranhei as orientações, pois depois de muito me informar e até questioná-la sabia que algumas coisas não eram recomendadas, como fazer aquela mão em tesoura para dar o peito para o bebê. Mas na minha inexperiência, querendo tentar fazer a tal ‘pega correta’ e diminuir a dor que já era bastante incômoda, eu fiz o que ela falou. E não adiantou, ele continuava com a ‘pega’ errada, a amamentação era com dor, eu fui para casa numa sexta e passei o fim de semana com dor. Nesse período meus mamilos ficaram bastante machucados. Somente na segunda eu falei com a minha obstetra e busquei ajuda com uma pessoa que ela me indicou. Essa pessoa me orientou buscar um Banco de Leite, e no dia seguinte eu fui. Esse Banco de Leite pertence a um hospital municipal e eu passei a manhã lá, até aprender a dar o peito para meu filho. A mídia, a população, todos criticam o SUS, mas foi lá que eu encontrei a orientação e o cuidado que as pessoas da rede privada não tiveram competência para me dar. Daí em diante segui todas as orientações para cuidar dos mamilos feridos, mas cada mamada era uma dor, um sacrifício, uma angústia. As semanas se passavam e a dor permanecia, a cicatrização demorava. Eu chorava e me sentia a pior das mães. Me perguntava por que aquilo tudo comigo, quando eu teria prazer em amamentar. Culpava a cesárea, culpava a maternidade onde ele nasceu… O apoio do meu marido foi fundamental. Ele sempre me incentivou, apesar do sofrimento. Colocava música para eu relaxar nos momentos em que ia amamentar, ficava com o Pietro para eu poder descansar. Apesar daquilo tudo não entrava na minha cabeça dar outro leite que não fosse o meu, e eu lutava contra toda aquela dor. Escrevi para as Amigas e fui à reunião de Botafogo. Foi o apoio que eu precisava, a Karina me ensinou uma posição para amamentar que causava menos dor. Quando o Pietro completou 1 mês, as feridas cicatrizaram. Ainda sentia um desconforto no mamilo direito, mas com o tempo isso passou. Só que aí veio a segunda prova de fogo: Pietro ganhou pouco peso. Na verdade, eu já estava achando que isso estava acontecendo porque percebi que ele cresceu, mas não percebia ficar mais fortinho. O momento em que eu vi na balança que ele ganhou pouco foi muito, muito difícil. Na mesma hora pensei “meu Deus, agora vai ter que complementar!”. Ao menos o pediatra demonstrou flexibilidade, ele deu 15 dias para observarmos o ganho de peso dele e disse que achava que o que aconteceu foi um problema de ajuste no início da amamentação. Eu fiquei desolada, só pensava o quanto dar outro leite, coisa que para mim era inadmissível, iria atrapalhar a amamentação. Fiquei paranóica. Na primeira semana o pesei umas três vezes. E ao final de 7 dias ele só tinha ganho 30g. Procurei novamente a mesma pessoa que me indicou o Banco de Leite, fui na reunião das Amigas na Tijuca. Felizmente o problema era mesmo de adaptação: como muitos recém nascidos o Pietro dormia demais e mamava de menos. Tive que ter muita paciência com ele, ficava bastante tempo com ele no peito, acordava, trocava a fralda, tirava a roupa, tentava fazer ele ficar desperto. Comecei a complementar com meu próprio leite, a nutricionista que me ajudou em todo esse processo me ensinou a tirar o meu leite no final da mamada, porque o Pietro não chegava a deixar meu peito mais vazio depois que mamava. Aí eu oferecia esse leite com a técnica de relactação, quando não dava para ordenhar depois eu tirava o leite antes, foi uma dica para facilitar o ganho de peso que a Maria Lúcia e a Rose me deram. Fiz isso por uns 20 dias, voltei ao pediatra e o Pietro ganhou quase 1kg! Quando ele completou 2 meses começou a ficar esperto, dormir menos e mamar mais, e daí para frente continuou ganhando bastante peso. Tenho muito orgulho de dizer que nunca dei outro leite para ele que não fosse o meu. Até 6 meses ele era mais magro do que os outros bebês. As pessoas achavam que ele era mais novo, davam menos tempo de vida para ele. Acho que isso é muito difícil para uma mãe, essas comparações com outros bebês, mas eu aprendi que meu filho é único e isso foi bom para mim, porque até hoje eu procuro não comparar ele com outras crianças. Nesse primeiro ano de vida dele participei de muitas reuniões das Amigas do Peito e isso foi muito importante nessa fase da minha vida. O início da maternidade foi um momento de muita solidão, nos grupos eu podia compartilhar com mulheres que viviam a mesma fase e problemas tão parecidos com os meus. Conheci muitas mulheres bacanas, fiz amizades e aprendi o quanto um grupo pode nos fortalecer. Pietro está com 1 ano e 10 meses e adora mamar. Descobri que amamentar é realmente um prazer e tudo o que vivenciei fez com que eu me engajasse nessa luta pelo direito de amamentar. Há pouco mais de um ano colaboro com as Amigas do Peito e faria tudo o que fiz de novo se tivesse que passar pelas mesmas dificuldades!

Depoimento publicado no Boletim Peito Aberto, ano 23, número 74, julho de 2011. Disponível em http://www.amigasdopeito.org.br/?paged=2




terça-feira, 4 de maio de 2010

Desmamando o Pietro. E me desmamando dele... (No sentido afetivo)


Falta menos de um mês para a minha volta a um dos trabalhos. E isso me angustia. Cheguei a conclusão de que existem mães que mesmo sem nunca terem amamentado não conseguem jamais desmamar seus filhos. São mães que criam uma relação de dependência com os filhos, que não permitem que eles sejam do mundo e sigam suas vidas. Decidi que não quero e não me permitirei ser uma mãe assim.

Voltar ao trabalho será um processo de desmame. Do Pietro e meu. Talvez, principalmente, da minha parte. Porque vai ser um belo exercício de desapego deixar meu pequenino em casa, não estar junto dele cuidando, amamentando, embalando, velando seu sono... Esse é o lado positivo que procuro ver nesse novo momento que viveremos. Porque será difícil, mas será um modo de começarmos esse aprendizado de seguirmos juntos e ao mesmo tempo independentes nessa longa estrada que é a vida.

Quanto a aceitação de sólidos pelo Pietro, o processo está sendo lento e gradativo. Pietro tem me mostrado o limite da minha insistência, que devo sempre parar se isso estiver desrespeitando o outro. E usando minha intuição e criatividade de mãe descobri algumas formas do Pietro aceitar um pouco da comida: ele come algumas coisinhas se vê que eu estou comendo e tem aceitado um pouco das ditas comidas de sal depois que deixei ele explorar, brincando, a comida.

Antigamente a introdução de sólidos era considerado o início do desmame. Amamentar pode ser difícil no começo. Mas considerando essa fase como o começo do desmame, desmamar me parece ser mais difícil ainda!

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Amamentação

Bem, depois de todo esse tempo consegui um tempinho para voltar a escrever! O Pietro está com 5 meses e sendo amamentado exclusivamente. Gostaria de falar aqui um pouco sobre a amamentação, que assim como o parto, era algo muito importante para mim na vivência da maternidade.

Nossa, como foi difícil o começo... Porque a gente sabe um pouco mais sobre algumas coisas, parece que tudo acontece. Como diz a minha grande amiga Inês, parece que somos colocadas a prova... Primeiro foram as fissuras. Um mês até cicatrizarem. E depois o problema do ganho de peso, porque o Pietro só ganhou 240g no primeiro mês (muito, muito pouco!).

Nossa, como doem as fissuras! Foi um mês amamentando com dor, com muita insistência, e sem sucumbir no meu objetivo em nenhum momento. Sempre via a expressão e as lágrimas de dor das mulheres na maternidade do hospital em que trabalho quando amamentavam com fissuras, mas não tinha noção da dor. As fissuras são a principal causa de desmame, e entendo bem o porque, muitas mulheres não suportam. Foi muito difícil, parecia que aquilo não acabava, que nunca cicatrizava.

Depois veio o baque do peso. Tive muita sorte de conhecer pessoas ligadas ao movimento de apoio à amamentação e de estar levando o Pietro em um pediatra que não quer empurrar fórmula. A possibilidade de ter de complementar com leite artificial me deixou transtornada. Algumas pessoas não compreenderam isso, principalmente na família. Mas como disse, conhecer as pessoas certas foi fundamental. Fui muito ajudada e hoje sou muito grata a uma nutricionista da Secretaria Municipal de Saúde que me orientou a complementar com meu próprio leite. Como assim? O Pietro, preguiçoso, não mamava o leite com gordura. Então eu ordenhava esse leite e dava para ele com uma sonda. E ele ganhou peso! E eu nunca tive que dar fórmula! Hoje o Pietro está ótimo. É um bebê de baixo peso, mas a cada mês vem recuperando bem.

Passar por isso tudo me fez perceber inúmeras coisas. Que o apoio da família, nesse momento, é essencial. Por isso eu agradeço muito, muito, ao meu marido, amigo, companheiro e super-pai Romando, que sempre esteve ao meu lado me apoiando no momento da dor, da preocupação, da ansiedade, e que nunca me disse uma palavra que me tirasse o incentivo de amamentar. Também pude perceber que nem sempre se pode contar com o apoio da família. Por causa dessa história do peso ouvi comentários de pessoas do mesmo sangue, de quem eu esperava pelo menos um ombro amigo para desabafar. Mas tudo bem, família não é só quem compartilha do mesmo sangue. Deus coloca na nossa vida amigas que são verdadeiras irmãs. Agradeço de todo meu coração a querida amiga Inês, que nesse momento tão delicado foi quem mais me ouviu e mais me apoiou para que eu me mantivesse firme até o final. Também agradeço de coração a Jeanne, que também me ouviu e me apoiou. E claro que não poderia deixar de agradecer o apoio que venho recebendo até hoje da ONG Amigas do Peito.

E sabem de uma coisa? Valeu muuuuuiiiiiiiiito a pena investir na amamentação!!!!!!!!!! Depois que tudo isso passa, a amamentação se torna uma experiência maravilhosa, como me falava a Inês. Estar com meu filho num momento tão íntimo, tão especial, tão nosso... Poder compartilhar meu corpo com ele, dar um pouco de mim, do meu sangue (o sangue branco, como diria o pediatra José Dias Rego)... Enfim, não há palavras para expressar o prazer de amamentar! Só sabe quem já amamentou.

Beijos para todos!